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quinta-feira, 14 de maio de 2009

11h00 - No PT do RN, ser amigo do rei é como em Parságada


Hoje vou me dar ao direito de ser um pouco ‘preconceituoso’, mas não sei se o termo correto seria realmente este.

Trocando em miúdos, o que vou ser mesmo é verdadeiro.

Como o assunto é polêmico, não vou temer virar vidraça dos insatisfeitos, desde que estes contra-argumentem com nível e consigam tornar minhas críticas sem efeito.

O alvo das críticas é o PT estadual.

E não me venham com essa de mostrar números de evolução comparados com governos passados como base de contestação, a questão não é esta.

Aqui não vou nem mesmo recorrer ao Mensalão, mas sim a um fato local recente que me deixou intrigado.

O fato está ligado a realidade contraditória que leva o PT a se vangloriar de ser o partido mais democrático do mundo, por colocar em votação até mesmo o direito a flatulências.

A analogia pode ser chula, mas simbolicamente real. E olhem que em meio as reuniões petistas há quem extrapole este direito indo além, ao abrir a boca para falar algo que que transcende ao gasoso.

Pois bem.

Há poucos dias, noticiamos neste espaço a decisão do diretório municipal do partido em Janduis, que teria optado por expulsar um vereador e afastar um segundo.

O motivo para a decisão: traição.

Um vereador da sigla deixou de apoiar um companheiro do partido democraticamente eleito pelos seus pares, para se unir a adversários e garantir a cadeira máxima do parlamento local.

Seria algo como um senador petista deixar de apoiar um nome do partido, para receber o apoio de José Agripino e os companheiros do DEM, para se manter acima de qualquer coisa atrelado as benesses do poder.

Diante desta realidade, o partido resolveu punir os dissidentes. Na minha pobre visão, uma decisão correta diante dos preceitos de correição e seriedade defendidos pelo partido.

Eis que alguns dias depois surge a surpresa.

A decisão municipal foi revogada pelo diretório estadual do partido.

Amigos do presidente estadual da sigla, os ‘vereadores punidos’ receberam uma mãozinha do comando estadual da sigla, que tornou a decisão do diretório municipal sem efeito.

Assim, os rebeldes ávidos pelo poder, foram mantidos na sigla como se nada tivesse acontecido.

No PT estadual, diferente do que apregoam os companheiros do partido, também funciona a máxima de Parságada onde é bom ser amigo do rei.


Para completar a homenagem à benevolente diretoria estadual do partido, eis a mestria de Manuel Bandeira.

Vou me embora para Parságada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que eu escolherei
Vou me embora para Parságada
Vou me embora para Parságada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca da Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar mãe-d'água
Prá me contar histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou me embora para Parságada
Em Parságada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei-
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou me embora para Parságada.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sou amigo do sindicalista Raimundo Canuto e estive com ele antes da eleição da Câmara. O mesmo falou que o presidente do diretório municipal estava impondo a candidatura do seu sobrinho a presidente da Câmara. Ainda que, estava sendo perseguido pelo prefeito desde o ano anterior.
Lembro que Raimundo seria o candidato a vice prefeito, não sendo aceito (não pelo diretório municipal) pelo presidente do diretório que aje com autoritatismo.
Nesta disputa de força os vereadores perseguidos juntaram-se com a oposição para mostrar ao Senhor prefeito que eles também teem força e que devem ser respeitados como vereadores e que suas palavras devem ser ouvidas e que as decisões do diretório municipal devem ser tomadas por concenso e não pela imposição do presidente do diretório.
O diretório estadual, sabedor desta situação, decidiu em favor dos veredores rebelbdes.

Salomao Gurgel Pinheiro disse...

Caro Márcio,
Obrigado pelo espaço democrático do seu Blog. Também, pela sensatez do seu comentário sobre questões disciplinares do PT de Janduis.
Quem nos conhece, sabe perfeitamente que fazemos da ação politica uma prátrica consciente de mudança de valores e costumes neste mundo tão repugnante da vida pública brasileira.
Em Janduis, não é bem diferente do resto do Brasil. Porém, um punhado de companheiros, militantes do PT, resolveu abraçar, não apenas a luta contra as práticas corruptas de Governo, mas tornar a arena pública do município objeto da nossa ação para limpar o organismo social do municipio, infectado pelos vírus contaminantes do oportunismo, fisiologismo, aproveitamento das estruturas sociais e governamentais em função de interesses pessoais e familiares escusos.
O Partido dos Trabalhadores de Janduis é uma organização política, bem estruturada e preparada, que funciona de acordo com o Estatuto do PT, com suas instâncias. É um partido que não funciona com acomodações de grupos ou conciliação de interesses escusos.
Atualmente no Poder, em Janduis, os petistas locais lutam, em suas fileiras, para que não aconteça, aqui, o que alguns "aloprados" fizeram no Governo de Lula, colocando em perigo a credibilidade do "modo sério, honesto e eficiente de o PT governar".
O mais que se escreve a respeito dos acontecimentos envolvendo o PT de Janduis são tentativas de tirar o foco das atenções para o principal: as referidas pessoas, punidas exemplarmente pela Direção do PT Municipal, são hoje os "chefes" da oposição ao nosso projeto petista de Governo em Janduis e conspiram contra a nossa administração. Não são líderes: começaram a "despontar" na grande política, a partir da nossa volta ao PT de Janduis. Se não cresceram mais, nas instâncias partidárias, é porque não merecem a confiança dos nossos militantes.
Atenciosamente,
Salomão Gurgel Pinheiro

 
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